O ex-recruta do 4º Batalhão de Infantaria e Selva (BIS) Adailson de Freitas, 21, vai apelar presencialmente à Justiça Federal para receber indenização do Exército. Em 2009, ele adquiriu perda auditiva profunda nos dois ouvidos e transtorno afetivo bipolar por conta da sua atuação militar. Desde 2011 ele recebe aposentadoria por invalidez equivalente à função de recruta (R$ 590), uma vez que não alcançou o posto de soldado por ter sido dispensado por conclusão do tempo de trabalho exigido pelo serviço militar. A aposentadoria veio após reintegração ao quadro do Exército a mando da Justiça.Neste sábado, 9, o jovem viaja a Brasília para tentar uma audiência com as autoridades para resolver seu caso. Ele pede uma indenização maior com a alegação de que seu estado de saúde é irreversível e tem prejudicado sua vida profissional desde que deixou o quartel. Um laudo médico expedido pelo Exército em Manaus (AM) comprovou a aquisição dos problemas de saúde enquanto Adailson era militar no 4º BIS.
"Não dá para sobreviver com o que recebo
hoje do Exército. Estou indignado porque não consigo mais emprego em
lugar nenhum por causa dos problemas que ganhei no quartel e não posso
levar o resto da vida com um salário desses", disse o ex-recruta, que
tem uma filha e é obrigado pela Justiça a pagar pensão de 20% do
salário.
Ele escreveu uma carta ao desembargador
federal Néviton Guedes, que cuida do caso na capital brasileira. No
Acre, o processo, incialmente nas mãos da Defensoria Pública, não pôde
ser resolvido e foi encaminhado a Brasília em setembro do ano
passado.Adailson pede o salário de um soldado (R$ 1.400), ocupação que
exerceria caso não tivesse sido afastado. Ele mora em Brasileia e não
tem o apoio da família. A mãe morreu e o pai vive fora do Estado. O
jovem necessita fazer avaliação psiquiátrica pelo menos uma vez por mês
em Rio Branco, o que aumenta ainda mais seus custos mensais.
O tenente-coronel do 4º BIS Danilo Mota explica que, por não ter
exercido os 12 meses necessários para se tornar soldado, não existe a
possibilidade de o jovem receber remuneração maior. Além disso, tramita o
processo de reforma de Adailson, que vai oficializar a sua
aposentadoria por invalidez. Com isso, seu salário subirá para R$ 963.Mota esclareceu ainda que o ex-recruta tem à disposição todo tipo de acompanhamento médico necessário para reverter os problemas de saúde, mas desconhece se ele tem comparecido às consultas. "O Exército não vai desampará-lo", disse.
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