João Matheus Ferreira, Luiz Signor e Thiago Correia - 14/11/2012 - 08:00 Rio de Janeiro (RJ)
Süleyman Arat, repórter do “Hürriyet News”, queria ser o primeiro a entrevistar Alex após sua saída do Fenerbahçe. Para isso, tinha que chegar ao Brasil antes do próprio. Mas um funcionário do aeroporto de Istambul o colocou em uma roubada. Ele achava que o apoiador iria para o Cruzeiro, como as notícias da época diziam. E pior, achava que não tratava-se apenas de um clube, mas também da cidade da Raposa. E quando viu que o destino do jogador era Curitiba, confundiu-se nas abreviaturas de aeroportos (CRU e CUR) e o mandou para Cruzeiro do Sul. No Acre.
Para chegar lá, ele saiu de Istambul, foi até Paris, depois para São Paulo, e fez o seguinte trajeto: Fortaleza (CE) - Belém (PA) - Manaus (AM) - Porto Velho (RO) - Rio Branco (AC) - Cruzeiro do Sul (AC). E mesmo assim, de acordo com os seus cálculos, ele ainda chegaria seis horas antes de Alex, que passaria apenas em Dakar (capital do Senegal) e iria para Curitiba em voo fretado. Não demorou a reparar que algo não estava indo bem:
– Ainda do ar, vi que era uma verdadeira floresta, não parecia que seria uma cidade que Alex viveria, fiquei em dúvida.
Mesmo com dificuldade de comunicação – poucos falavam inglês – Süleyman começou a perguntar por Alex. Só um homem com cerca de 50 anos, com a camisa do Flamengo, conhecia o jogador, mas tinha certeza que aquele não era o destino de uma estrela.
Eles foram para a casa do administrador do aeroporto. Com a confusão desfeita, o turco descobriu que estava a mais de 4 mil quilômetros do destino certo, e vinha apenas um pensamento:
– Eu estava tão irritado... Eu perdi o voo do Alex por causa da falha do atendente do aeroporto em Istambul, estava longe de casa, na Amazônia, onde reinam as cobras e vivem as sucuris.
Süleyman ligou para o seu jornal, recebeu apoio do chefe, e até teve o aval para voltar. O que lhe deu ainda mais vontade de conseguir a entrevista. A sorte foi que o flamenguista (que ele não lembra o nome) seria apenas o primeiro homem de bom coração que ele iria encontrar no caminho até o final feliz.
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| O repórter já esgotado no avião, após várias horas de viagens (Foto: Arquivo pessoal) |
Amigos no caminho
O flamenguista o apresentou a Airton, que o levou no dia seguinte para Rio Branco. E ainda houve tempo para um churrasco na casa do peruano Paulo Banir. Na noite seguinte, Arat já estava em Curitiba, encontrou mais um brasileiro que o ajudou (deu-lhe dinheiro), e na outra manhã ele estaria pronto para a nova parte da saga: encontrar Alex. E fez o caminho mais próximo.
O flamenguista o apresentou a Airton, que o levou no dia seguinte para Rio Branco. E ainda houve tempo para um churrasco na casa do peruano Paulo Banir. Na noite seguinte, Arat já estava em Curitiba, encontrou mais um brasileiro que o ajudou (deu-lhe dinheiro), e na outra manhã ele estaria pronto para a nova parte da saga: encontrar Alex. E fez o caminho mais próximo.
– Eu entrei em contato com o seu tradutor, Samet Güzel, e disse que a entrevista era muito importante para mim, e que seria um desastre, mas ele disse que Alex não aceitaria.
Enfim, Alex
Até que depois de quatro dias de vigília perto da casa de Alex, um final feliz e inesperado para o turco. Quando foi a um shopping para fazer câmbio e jantar, encontrou por acaso o jogador, e foi só alegria.
Até que depois de quatro dias de vigília perto da casa de Alex, um final feliz e inesperado para o turco. Quando foi a um shopping para fazer câmbio e jantar, encontrou por acaso o jogador, e foi só alegria.
– Dei um abraço na mesma hora, e ele não conseguiu escapar mais. Depois de 45 minutos de uma conversa amigável, tirei algumas fotos e, enfim, fiz a entrevista, que foi muito importante para mim e para o jornal – comemora o jornalista que, de quebra, ainda foi ver um jogo do Coxa, e conseguiu entrevistas com Deivid e Lincoln, que também atuaram na Turquia.
E para piorar tudo, a sigla do aeroporto de Cruzeiro do Sul nem é CRU, é CRZ. Por causa disso, ele fez o trajeto de 13.240 quilômetros no total.
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| O momento mais esperado de todos: o encontro com Alex (Foto: Arquivo pesoal) |
Quem conta um conto...
Toda esta história foi descoberta em entrevista que Felipe Ximenes, superintendente de futebol do Coritiba, concedeu ao LANCENET! há menos de um mês. Como é normal em qualquer conto deste tipo, as versões ganham alguns equívocos, que foram corrigidos pelo próprio Suleyman Arat. No início, o repórter teria andado até de pau de arara e sofrido pressão de seu chefe, de que se não conseguisse a entrevista, poderia ser demitido.
- Eu tenho 33 anos de casa, já fiz grandes trabalhos, e não seria essa falha que iria custar meu emprego. Pelo contrário, tive apoio o tempo todo - conta o repórter.
Mas muito mais do que a saga de um jornalista por um bom trabalho, tudo isso mostra a idolatria que a Turquia ainda tem por Alex. Nesta entrevista de Ximenes, ele conta como o povo de lá ainda se liga no jogador.
- Desde o momento em que o Coritiba anunciou o Alex, 20% dos acessos na nossa homepage são da Turquia. É uma coisa inacreditável. A idolatria que os turcos têm por ele é uma coisa fantástica - disse o dirigente, que tenta entender o que aconteceu com o jornalista:
- O Alex deixou Istambul em um voo fretado e ninguém sabia onde ele jogaria. A imprensa turca especulou muito que ele jogaria no Cruzeiro, pois ele saiu do Cruzeiro para ir para a Turquia. Um jornalista, sempre querendo dar furo, veio atrás dele.
Já o próprio jogador, que deu a entrevista com bom humor, também vê a história de forma divertida, mas também reflete sobre o amor que o país tem pelo futebol.
- O jornal dele não deve ter Google, né? Como o cara coloca Cruzeiro de Belo Horizonte e vai parar no Acre? É algo absurdo (risos). Achei toda essa história muito louca e que só mostra a paixão e o fanatismo que o povo turco tem pelo futebol.
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| No meio da viagem, ainda no Norte, um momento para tomar um coco (Foto: Arquivo pessoal) |
Com a palavra
Süleyman Arat
Repórter do jornal ‘Hürriyet Daily News’ (TUR)
Süleyman Arat
Repórter do jornal ‘Hürriyet Daily News’ (TUR)
Alex é um jogador adorado na Turquia, mesmo entre torcedores dos rivais, como Besiktas e Galatasaray. Sua nova vida interessa aos leitores turcos. Eu gostaria de ser o primeiro a entrevistá-lo. Mas não tínhamos muita informação. Minha única chance era estar no Brasil um dia antes dele, seguí-lo, e convencê-lo a falar.
Eu tinha pouco tempo para descobrir seu voo, e foi aí que eu tive o problema no aeroporto.
Eu estava tão cansado quando aterrissei, era um bonito e pequeno aeroporto. A primeira coisa que eu fiz foi perguntar a um funcionário “Quando o avião de Alex vai pousar?”. Ele disse que não conhecia nenhum Alex e que nenhum outro avião pousaria naquele dia. Fiquei chocado.
Eu tinha pouco tempo para descobrir seu voo, e foi aí que eu tive o problema no aeroporto.
Eu estava tão cansado quando aterrissei, era um bonito e pequeno aeroporto. A primeira coisa que eu fiz foi perguntar a um funcionário “Quando o avião de Alex vai pousar?”. Ele disse que não conhecia nenhum Alex e que nenhum outro avião pousaria naquele dia. Fiquei chocado.
Foi quando conheci o meu amigo flamenguista, que tinha um inglês muito pobre, mas era muito gentil. Descobrimos a real situação. Eu liguei para o diretor do jornal e expliquei tudo, ele disse que não havia razão para eu ficar desapontado. Isso só me deu ambição e eu tinha que conseguir, não importava o que acontecesse.
O flamenguista me levou para a casa de um amigo, e procuramos uma solução. Havia um voo de Rio Branco para Brasília, no dia seguinte, às 14h45. Eu queria um táxi para Rio Branco, mas o taxista cobrou US$ 400 (R$ 829) para sete horas de viagem, e era exatamente o que eu tinha na carteira.
O flamenguista me levou para a casa de um amigo, e procuramos uma solução. Havia um voo de Rio Branco para Brasília, no dia seguinte, às 14h45. Eu queria um táxi para Rio Branco, mas o taxista cobrou US$ 400 (R$ 829) para sete horas de viagem, e era exatamente o que eu tinha na carteira.
E surgiu o Airton, que ia para lá às 9h, mas eu perderia o voo. Convenci, então, pela saída às 5h, e ele me levou na casa de seu amigo peruano, Paulo Banir. Fizemos um churrasco, no dia seguinte me ajudou até com a passagem.
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| Depois do desespero, Süleyman conseguiu relaxar no churrasco (Foto: Arquivo pessoal) |
Quando, enfim, cheguei em Curitiba, novo problema, e novo amigo: Robson William. Eu só tinha dólares, e o banco estava fechado. Ele me deu R$ 10, e disse que eu deveria pagar só quando voltasse ao Brasil. Fui para a cidade, e consegui me acomodar para nova aventura: encontrar o Alex.
Estou trabalhando em um livro baseado em minha vida profissional. A aventura brasileira será a lembrança mais colorida.
Fonte : http://www.lancenet.com.br





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